Há vários tipos de fetiches, a podolatria em especial, é um tipo particular de fetiche cujo desejo se encontra nos pés. No Brasil, um fetichista é conhecido como podólatra. São atos comuns que levam o fetichista a ter prazer sexual como, beijar, acariciar, lamber, chupar, massagear ou até mesmo em sentir odores, entre outros. A fixação por uma parte do corpo, como os pés, faz com que esses podólatras sintam prazer em ter seus genitais manipulados pelos pés do parceiro até chegar ao ponto alto da excitação de ter o orgasmo e a ejaculação. Provavelmente essa seja a forma mais frequente de excitação com os pés, com uma sensação de satisfação completa sem que haja penetração. Uma forma exótica de masturbação.
Como muitos fetiches, o dos pés varia enormemente entre os fetichistas. Uns gostam somente das solas, outros das unhas, dedos longos, pés chatos ou com curvas, macios ou ressecados, perfumados ou com odor forte, o famoso “chulé”, alguns gostam dos pés calçados outros com meias. Alguns preferem pés bem cuidados outros sujos, com crostas. Há ainda um tipo de podólatra conhecido como fungifilia, onde a pessoa sente prazer sexual em acariciar pés com micoses, frieiras e outros tipos de fungos. Um fetichista por pés pode ser tanto homem como mulher, porém a maioria declarada está no sexo masculino.
Brinquedinhos para os pés
Para deixar suas relações ainda mais apimentadas, os podólatras recorrem a géis para massagear, géis comestíveis, com sabores diferentes dando um gostinho de quero mais na hora do prazer, e alguns objetos de brincadeiras como penas para cócegas. No entanto, os anéis, as correntes no tornozelo, unhas pintadas só fazem chamar mais a atenção de um podólatra.
Além da procura por assessórios de prazer, o podólatra pode aprimorar seus conhecimentos e dar asas à imaginação com livros sobre podolatria. “Manual do Podólatra Amador: Aventuras & Leituras de um tarado por pés” de Glauco Mattoso (vide Box), é um exemplo de supervalorização dos pés. Traz significados, cita objetos, cheiros, formatos e texturas propícias para satisfazer os podólatras de plantão. Há até alguns poemas inspirados na vivência do autor como podólatra. Para ter uma idéia desse universo, uma de suas frases marcantes é, “Tesão que não tem chulé, é diferente do meu”. Há também o livro “Tesão por Pés: A realidade de um gosto excêntrico.” de Giuliano Moretti, que abrange o assunto do fetichismo por pés em todos os seus aspectos. São brincadeiras, pesquisas com psicólogos, psiquiatras, sexólogos, e observações pessoais sobre o que é contemplar uma mulher da “cabeça aos pés”, literalmente.
Nos Estados Unidos, o diretor, ator e roteirista de cinema, Quentin Tarantino, assumiu seu fetiche por pés enquanto jantava num restaurante japonês em Londres e uma fã lhe pediu para tirar uma foto que seria concedida por ele na condição de que ele beijasse e chupasse seu pé. Não é que ele conseguiu?
Relatos de quem entende da coisa
Glauco Mattoso foi bancário e bibliotecário. Hoje, aposentado, exerce a profissão de escritor. Tem bacharelado em Biblioteconomia e graduação incompleta em letras pela USP (Universidade de são Paulo). Resolveu transformar sua experiência em relato, levou para a obra seu testemunho de dores e prazeres, “nada mais faço do que dar um depoimento em forma literária daquilo que me traumatizou, mas também me excitou muito” diz Glauco.
Para ele o pé não é mero fetiche erótico, mais símbolo de poder e dominação e o podólatra é visto no máximo como um sujeito de gosto diferente. Dentro deste universo existem níveis de podolatria.
Enquadrado dentro do sadomasoquismo, nem sempre a fixação por essa parte do corpo não significa necessariamente o rebaixamento dos papeis sexuais na relação, mas quando um deles se sente inferior e se sente sob domínio do parceiro trata-se de um nível mais baixo na escala do relacionamento. Durante esse “contrato” entre o casal que é estabelecido os níveis de podolatria.
Entrevista:
Considera-se um podólatra? O livro é uma espécie de “desabafo”?
GM: Não sou um podólatra convencional, desses que adoram o pé delicado, limpo, como parte do jogo amoroso, mais sim um masoquista que aprendeu a suportar e a desejar o pé rude, sujo, fedido, como parte da humilhação sofrida por um menino que enxergava mal, inferiorizado pelos que eram saudáveis e mais fortes. Meus livros desabafam sobre esse masoquismo existencial e sobre muitos outros sofrimentos que vitimam os mais fracos.
A dominação na hora do prazer apimenta mais a relação? Quanto o sadomasoquismo tem haver ver com a podolatria?
GM: Depende do tipo de relação. Se o combinado inclui algo mais que simples troca de carinho na cama, o sadomasoquismo pode ser um tempero apetitoso. Fora disso, pode assustar parceiros habituados apenas a beijos amorosos em vez de ordens ou pancadas. O sadomasoquismo inclui a podolatria envolvendo a submissão ao pé dominador. Mas se a podolatria não passa de uma adoração carinhosa do pé do parceiro ou da parceira e pode ser considerada como simples detalhe na reciprocidade sexual do casal.
Se você quisesse convencer alguém a ser podólatra, o que diria às pessoas sobre essa prática?
GM: Eu diria que ninguém poderia ser convencido a tornar-se podólatra, a menos que já tivesse alguma experiência do tipo desde a infância. A minha começou no “Bullying” imposto pelos outros moleques. Para outros a experiência pode nem ser tão humilhante nem traumática, pode rolar em simples brincadeiras com outras crianças ou com mais velhos. O que importa é ter marcado a personalidade como algo potencialmente erótico. Entre adultos, o que mais facilmente ocorre é o contrario: alguém ser convencido de que pode ser divertido e delicioso pisar em alguém e fazer essa pessoa “trabalhar” em seus pés… (risos)
Na opinião de Vall, nosso entrevistado que não quis identificar-se, ser podólatra é admirar os pés, ter uma tara. Diferente de Glauco, sua preferência é por pés bem cuidados e bonitos. Gosta de acariciar, lamber, beijar e massagear. Diz que é muito prazeroso, e, portanto, uma preliminar para o sexo. Ao contar uma de suas experiências, diz já ter perdido uma namorada por ter fetiche pelos pés. Uma outra o fazia lamber as solas dos pés e o trajeto por onde iria passar. Tinha que rastejar e lamber as solas das sandálias e botas, “era bom de mais”, diz Vall. Ele se sente compreendido quando fala sobre seu fetiche, pois alega que todo mundo tem alguma tara por uma parte do corpo, mesmo que a parte do corpo não seja a mais querida pela maioria. Quer saber se Vall deixaria a parceira atual por outra com o pé mais delicado e atraente? Pois sim, ele deixaria. Vall também alimenta um blog sobre o tema par compartilhar suas experiências. O sigilo fica por conta da carreira profissional que não permite excentricidades e superexposição.
Fetiche
A palvra fetiche é originária do francês fétiche, que por sua vez é um empréstimo do português, feitiço, cuja origem é do latim facticius “artificial, fictício”. O sentido está ligado a um objeto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais, positivos ou negativos. Inicialmente este conceito foi usado pelos portugueses para referir-se aos objetos empregados nos cultos religiosos dos negros da África ocidental.
Para a psicologia
O objeto do fetiche na psicologia é a representação simbólica de penetração. Tem conotação sexual. É um objeto parcial e não representa quem está por trás do objeto. Os fetiches mais comuns na sociedade ocidental são os pés. No Brasil, seguido dos pés, vem a atração por sapatos e por roupas íntimas.
Para a sociologia
Para a escola marxista, o fetiche é um elemento fundamental da manutenção do modo de produção capitalista, pois relaciona-se à fantasia (simbolismo) que paira sobre o objeto, e projeta nele uma relação social definida, estabelecida entre os homens.









eu amo tanto lamber pe de mulher que to ficando louco porq nao tenho nenhum pe pra eu chupar so na minha imaginaçao , eu quero milheres que goste que lambam seu pe