Excesso de excitação ou ansiedade?
A ejaculação precoce ou prematura (incapacidade de controle voluntário da ejaculação) é considerada a disfunção sexual masculina mais comum, pois ocorre com bastante freqüência. Ela pode ser apresentada em diferentes graus, que vão desde os casos leves aos mais severos.
Os casos mais leves são quando o homem consegue ter um controle relativo da ejaculação, mas não da forma que ele desejaria. Esse controle parcial permite que ele faça alguns movimentos dentro da vagina, mas não são suficientes para uma relação sexual plena e satisfatória, embora ele consiga manter a penetração por algum tempo.
Quando o grau é moderado, ele consegue segurar a ejaculação durante os jogos preliminares, mas ejacula assim que penetra o pênis na parceira.
Mas, se o descontrole é absoluto, basta uma mínima estimulação que nem sempre precisa ser direta, para que a ejaculação aconteça antes mesmo da penetração e costuma acontecert na maioria dos encontros sexuais.
Há algumas décadas atrás, alguns pesquisadores estabeleceram critérios de tempo que definiam objetivamente, o que era uma duração coital normal ou anormal, mas essas teorias foram deixadas de lado pelos especialistas. Atualmente considera-se que o homem tem uma disfunção, quando ele ejacula antes do que deseja, ou seja, quando ele não consegue ter um controle voluntário da ejaculação como gostaria. Mas é preciso que aconteça com certa frequência.
Em muitos casos o problema começa desde as primeiras experiências sexuais e geralmente está relacionado à má aprendizagem do controle da resposta orgásmica. Muitas vezes o adolescente cria desde o início o hábito de autoestimular-se de forma rápida, apenas como uma maneira de descarregar a tensão sem a preocupação de prolongar o prazer. A pressa para não ser pego fazendo sexo em algum lugar “proibido” ou no carro, também podem levá-lo a desenvolver o mal hábito de não aprender a considerar outras formas mais prazerosas de se dar prazer, permitindo-se desfrutar com mais tempo das sensações eróticas.
Por outro lado, quando ele tinha controle nas experiências anteriores e por alguma razão o perdeu, o problema é considerado como controle ejaculatório voluntário secundário. É importante ressaltar que a ejaculação precoce, pode ser simples de resolver, mas se a pessoa não busca ajuda, pode vir a ter problemas de disfunção erétil.
Ainda há poucos estudos com relação às causas orgânicas e neurológicas, mas não há dúvida que causas psicológicas são a grande problemática dos problemas de ejaculação precoce ou prematura. O tratamento pode incluir intervenção médica ou psicológica.
Mas, antes de ir pensando em tomar remédios, que muitas vezes não tratam as raízes do problema, consulte um terapeuta sexual, ele é o profissional especializado que trata dos aspectos psicológicos das disfunções sexuais e saberá orientá-lo, caso haja necessidade de uma consulta médica.
Vale ressaltar que o problema também pode ser passageiro, pois às vezes acontece, somente em algumas situações ou com determinadas pessoas.
Quando o homem tem uma parceira fixa, o tratamento costuma envolver o casal, pois é preciso verificar se a mulher também apresenta alguma disfunção que acarrete em um problema sexual. Antes de elaborar as estratégias do tratamento, o terapeuta precisa ouvir ambos os lados para poder definir o que se vai tratar, pois o trabalho será enfocado na adequação sexual do casal.
Outro fator bastante relevante é a preocupação com desempenho ou o medo de não conseguir ejacular. A tensão na hora do sexo, impede que o homem sinta o que está passando com o seu corpo, o que acaba levando a perda de controle sobre ele.
Por isso, é preciso relaxar os pensamentos e permitir que as emoções o levem a perceber as sensações de prazer transmitidas pelos estímulos, pois a questão não é o excesso de excitação como muitos afirmam, mas excesso de ansiedade.
Bem, espero que você não precise, mas se precisar encare com naturalidade, procure um especialista, pois ele pode ser seu grande aliado.
Carmen Janssen.
Sexóloga, psicoterapeuta e escritora.
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